Como sair das dívidas: o plano em 5 passos que organiza sua vida
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Como sair das dívidas: o plano em 5 passos que organiza sua vida

Um plano prático para sair das dívidas mesmo ganhando pouco: liste tudo, pare a bola de neve, escolha o método certo, negocie com desconto e monte uma reserva para não recair.

Por Renan Arruda · · 8 min de leitura

Dívida pesa além do bolso: tira o sono, gera vergonha e passa a sensação de que nunca vai acabar. O que resolve não é um golpe de sorte, e sim um plano simples seguido com paciência. Sair das dívidas é possível mesmo ganhando pouco, desde que você pare de apagar incêndio e comece a seguir um caminho. Aqui está o plano em cinco passos, do diagnóstico à negociação.

Por que a dívida cresce sozinha

Antes do plano, entenda o inimigo. A dívida com juros — principalmente o rotativo do cartão e o cheque especial — cresce sozinha, mês após mês, mesmo que você não gaste mais nada. É por isso que parece que você paga e o saldo não diminui. O primeiro objetivo é parar essa bola de neve.

Passo 1: coloque tudo na mesa

Não dá para resolver o que você não enxerga. Pegue papel ou o celular e liste todas as dívidas: para quem você deve, o valor, e principalmente a taxa de juros de cada uma. Pode doer ver o total, mas esse é o momento mais importante: é quando a dívida sai do escuro e vira um problema que tem solução.

Passo 2: estanque o sangramento

Enquanto você não parar de criar dívida nova, não há plano que funcione. Isso significa, por mais difícil que seja:

Faça um orçamento rápido (entradas menos saídas) para saber quanto sobra por mês para atacar a dívida. Esse valor é a sua arma.

Passo 3: escolha o método de ataque

Com a lista na mão e um valor mensal disponível, escolha por onde atacar. Há dois métodos consagrados:

Não existe método errado. Se você precisa de motivação, use a bola de neve. Se quer economizar o máximo, use a avalanche. O que não pode é ficar parado.

Bola de neve ou avalanche: qual escolher

Para decidir com clareza, veja os dois métodos lado a lado:

Bola de neveAvalanche
Por onde começaPela menor dívidaPela de maior juro
VantagemÂnimo: você vê dívidas sumindo rápidoEconomia: paga menos no total
DesvantagemPode custar mais juros no caminhoDemora mais para riscar a primeira
Indicado paraQuem precisa de motivação para não desistirQuem consegue manter a disciplina sozinho

Se você já tentou e desistiu antes, a bola de neve tende a funcionar melhor, porque a sensação de progresso sustenta o esforço. Se o seu problema é matemático e você tem constância, a avalanche economiza mais. O erro é ficar parado escolhendo entre os dois.

Nem toda dívida tem a mesma urgência

Antes de aplicar o método, vale separar as dívidas por consequência. Algumas prejudicam muito mais a sua vida se ficarem em atraso:

Isso não significa ignorar as últimas, e sim entender o que resolver primeiro quando o dinheiro não dá para tudo. Manter a casa e as contas essenciais em dia vem antes de quitar uma dívida antiga que já está no cadastro.

Passo 4: negocie cada dívida

Aqui mora a maior economia. Dívidas atrasadas quase sempre podem ser negociadas com desconto — às vezes muito grande. Entre em contato com cada credor pelos canais oficiais, explique sua situação e proponha um valor que caiba no seu bolso. Em mutirões de renegociação, os descontos costumam ser ainda maiores.

Antes de aceitar qualquer acordo, confira se a parcela cabe de verdade no seu mês. Uma dívida renegociada que volta a atrasar costuma ficar pior do que antes, porque o desconto se perde e o valor volta cheio.

Algumas orientações que ajudam na hora de negociar:

Os guias de renegociar dívidas no Feirão Limpa Nome e de limpar o nome no Serasa detalham esse processo, inclusive os mutirões que costumam trazer as melhores condições do ano.

O que não fazer

Alguns atalhos parecem solução e afundam ainda mais quem está endividado:

Passo 5: monte uma mini reserva para não recair

Parece estranho guardar dinheiro enquanto se paga dívida, mas é o que impede você de recair. Sem nenhuma reserva, qualquer imprevisto — um remédio, um conserto — te joga de volta no cartão. Por isso, separe uma quantia pequena para uma reserva mínima, enquanto paga as dívidas. Ela é o seu seguro contra começar tudo de novo.

Depois que sair do vermelho, transforme o valor que ia para as dívidas em poupança. (Veja o guia de como guardar dinheiro ganhando pouco.)

Sair das dívidas é uma maratona, não uma corrida de 100 metros. Cada parcela quitada é um passo — e o conjunto dos passos é o que te leva à linha de chegada.

Como aumentar o valor que vai para as dívidas

O plano funciona mais rápido quando sobra mais dinheiro por mês. Há duas frentes, e vale trabalhar as duas ao mesmo tempo.

Reduzir gastos. Revise as contas fixas, que são onde mora a economia recorrente: tarifas bancárias, plano de celular maior que o necessário, assinaturas esquecidas, conta de luz alta. Uma revisão dessas costuma liberar um valor todo mês sem exigir sacrifício, como mostram os guias de economizar no plano de celular e de economizar na conta de luz.

Aumentar a renda. Qualquer valor extra direcionado integralmente às dívidas acelera muito o plano. Pode ser um bico no fim de semana, a venda de itens parados em casa ou uma renda extra feita em casa. O importante é que esse dinheiro vá inteiro para a dívida, e não se dilua no consumo do mês.

Some as duas frentes e o prazo para zerar cai bastante. É a diferença entre levar três anos e levar um.

Depois de quitar: não volte para o mesmo lugar

Quitar a última parcela dá um alívio enorme, e é exatamente aí que mora o risco. Muita gente sai das dívidas e, alguns meses depois, está de volta, porque o comportamento que gerou o problema continuou o mesmo.

O que evita a recaída:

Resumo

  1. Liste todas as dívidas, com valores e juros.
  2. Pare de criar dívida nova e descubra quanto sobra por mês.
  3. Escolha o método: bola de neve (ânimo) ou avalanche (economia).
  4. Negocie cada dívida — atrasadas têm desconto grande.
  5. Monte uma mini reserva para não recair.

Com um plano na mão, a dívida deixa de ser um monstro sem fim e vira uma lista de tarefas que você risca, uma por uma, até zerar.

Resumo em passos: Como sair das dívidas: o plano em 5 passos que organiza sua vida

Perguntas frequentes

Por qual dívida devo começar a pagar?

Há dois caminhos: começar pela dívida de maior juro (você paga menos no total) ou pela menor dívida (você quita rápido e ganha ânimo). As de juro mais alto, como rotativo do cartão e cheque especial, costumam ser prioridade, porque crescem mais rápido. O importante é ter um plano e segui-lo.

O que é o método bola de neve?

É quitar primeiro a menor dívida, enquanto paga o mínimo das outras. Ao zerar a menor, você joga aquele valor na próxima, e assim por diante, como uma bola de neve que cresce. A vantagem é o ânimo de ver dívidas sumindo logo no começo.

E se eu não conseguir pagar nem o mínimo das dívidas?

Não ignore as cobranças nem se desespere. Procure negociar diretamente com cada credor, explicando sua situação e propondo um valor que caiba no seu orçamento — muitos aceitam descontos grandes. Mutirões de renegociação costumam oferecer as melhores condições.

Renan Arruda

Escrevo no Central Hub sobre economia doméstica, trabalho e direitos. Meu objetivo é simples: ajudar quem ganha pouco a fazer o dinheiro render, encontrar renda e resolver a burocracia do dia a dia sem pagar a mais por isso.